04
novembro
2011

Por que não dá para fazer um projeto de Design por R$100?

Postado por em design

Foto feita com 100 moedas de um real

Por que não dá para fazer um projeto de Design por R$100?

Você já fez essa pergunta para si mesmo? Alguém já perguntou por que você cobra “caro” para fazer determinado trabalho?

Vamos à um exemplo prático: Criação de logotipo.

O cliente te contrata para fazer o desenho de um logotipo, você avalia o briefing, orça, o cliente aprova e vamos ao trabalho!

Primeiramente começamos fazer uma pesquisa no campo de atuação do cliente. Essa pesquisa pode ser feita de “n” maneiras, mas vou exemplificar aqui a grosso modo quais são os passos mais comuns de um trabalho como este.

Então iniciamos pela pesquisa que pode começar fazendo uma visita ao cliente, o conhecendo, a empresa, seus funcionários, forma de trabalho, de produção de seu produto, de sua filosofia, sua história, etc. Nesta pequena visita você vai dispor de seu tempo, seu conhecimento, sua gasolina, o pedágio e o seguro do seu laptop (caso o tenha). Isso tem um CUSTO. Em um dia essa “bobeirinha” pode lhe custar R$50, R$200, R$300 ou R$2.465,00 se você bater o carro ou roubarem o seu Laptop.

Ainda tem dúvidas que um desenho de um simples logotipo pode sim custar R$100? Então continuamos…

Depois da visita ao seu cliente a pesquisa continua. Você vai até o shopping, supermercado ou local onde o cliente de seu cliente consome a marca (lembre-se: seu cliente NÃO É o público final), e então vai observar o seu comportamento, seus hábitos perante o produto.
Contabilize aí: gasolina + estacionamento, ok?

Ah legal, a pesquisa então acabou?

Não, mas não mesmo!
Você vai chegar em seu escritório, vai ligar o seu computador e fazer uma incansável pesquisa por símbolos, nomes, imagens, textos e tudo o que possa lhe ajudar no suporte de tudo aquilo que já pesquisou. Essa pesquisa pode durar horas, dias.
Some aí a internet que você paga, seu aluguel, seu café e tudo o que vai manter você aceso para continuar pesquisando.

Depois da pesquisa, se comunique com o cliente enviando e-mails, ligando e falando sobre a sua pesquisa, quais foram suas impressões e resolva suas possíveis dúvidas.
Sim, você também vai pagar esses minutos no telefone, não? Isso também custa.

Depois de um bom papo e dúvidas resolvidas você já pode começar a tão sonhada parte da criação.
A criação não é composta apenas de internet e photoshop. Ela passa por um longo processo de absorvimento da pesquisa já concebida. Ela envolve mais pesquisa em livros e revistas (isso também é custo, vc os compra todo mês!) de referência que você deve ter, passa por leituras que servirão de base conceitual e argumentativa, sem contar a sua formação e experiência que também o ajudarão indiretamente nessa hora e que também possuem um custo indireto, afinal você investiu 4 anos ou mais de sua vida estudando para fazer um projeto decente.

Aí vem o famoso brainstorm, onde você vai “vomitar” ideias sem se preocupar com a qualidade conceitual ou gráfica. É hora de soltar o traço em seu sketchbook, em folhas de papel ou da maneira que você achar que o exercício o ajude na criação. Você pode usar massinha, canetinhas coloridas, tesoura, cola, arames… enfim. Sem limites nessa hora.
Bom lembrar que, se você tem um conjunto de materiais que servem de insumo para suas criações, você o comprou e vai precisar repor quando estiver acabando né? Pois é, isso custa.

Depois do brainstorm e de dezenas de folhas gastas com seus sketches, você começa iniciar um processo do reconhecimento de uma forma que pode vir a ser o novo logo do seu cliente. Trabalhe na ideia e em suas variantes de maneira incansável. Não se contente com a primeira, segunda ou vigésima ideia. Esgote a sua cachola, relaxe e depois volte ao trabalho com a cabeça mais fresca.
[Relaxe = pare um pouco, tome café, faça um esporte, assista um filme, durma.]

Este processo pode durar dias e dias. A criação de um logo que vai ficar lá na fachada da loja do seu cliente e que vai ficar na fachada do seu portfólio não vai sair de uma hora para outra.
Esses dias e dias vão lhe custar as suas horas que, embutido nelas estão a internet, o aluguel e todo o resto que eu já falei aqui.

Depois que você já rabiscou bastante, agora é a hora mais rápida, a hora de desenhar no Illustrator/Photoshop, né? Não, não é.
Agora você ainda vai definir uma paleta de cores, desenhar o símbolo e escolher a tipografia. Uma boa tipografia também pode levar dias para você achar. O tipo é um item tão (ou mais) importante que o símbolo. Não a ignore. Isso quando você não desenha a tipografia especialmente para o logo ou o faz em AllType – Logotipo usando apenas tipografia. Mas trabalhar com tipografia é tão complexo que vale um texto a parte só para projeto tipográfico.
Feito os primeiros desenhos, você vai marcar uma outra reunião com o cliente (isso vai lhe custar novamente!) ou, dependendo do caso você manda por e-mail para ele analisar e aprovar ou não.

Cliente diz: “hummmm, não gostei”. Você já ouviu isso?

Existem muitos designers que nessa hora desanimam, fazem cara feia, dão contra argumentos só para acabar o projeto (agora você descobriu que cobrou pouco), enfim. O cliente está feliz pela sua promessa, pelo seu atendimento e muito mais pelo preço que ele vai pagar, e ele não tem culpa que você cobrou muito pouco. Ou você sustenta até o final ou perderá o cliente pelo seu erro de cálculo.

A não aprovação de uma, duas, três ou mais vezes pode acontecer. Faz parte.
(Você pode fazer um contrato para ambos assinarem antes de iniciar o trabalho, tentando se proteger de dezenas de refações, por exemplo. Tudo pode ser combinado por escrito e assinado).

Bom, se não foi aprovado, hora de voltar para as pesquisas, analisar as considerações do cliente, rafear muito, finalizar, fazer testes de impressão no seu escritório ou na gráfica… E tudo isso vai lhe custar mais tempo, mais materiais de escritório, tinta da impressora, transporte para a gráfica, gasto com impressão ou motoboy para buscar a impressão pra você caso não tenha tempo de ir até a gráfica.
Contente com o resultado? Ligue para o cliente e marque outra visita. (contabilize os custos!)

Ebaaaaa! Aprovado!!!

Hora de voltar para o escritório, finalizar a arte, gravar um CD e fazer a entrega pessoalmente, claro. (Contabilize aí mais uma visita)

Esses exemplos que citei fazem parte de experiências que já tive. Cada caso é um caso, mas de fato cobrar uma merreca por um projeto de design é inviável.
Muitas vezes o próprio possível cliente não reconhece o seu preço, seu conhecimento acadêmico, sua experiência e competência profissional, se apegando apenas nos números que passou para ele, achando que “desenhar” um símbolo é fácil, rápido e custa pouco. Este tipo de cliente talvez não sirva para você.

Baixando muito o seu preço vai afetar o seu lucro e até o seu custo básico. Você pode até ganhar o cliente cobrando 100 e dar risada dos amigos que cobram 1000, mas não vai conseguir manter o mesmo padrão de qualidade nos próximos projetos, muito menos apresentar um orçamento com 1000% de aumento no próximo logo pra ele, o que tornará o seu negócio insustentável com o tempo.

Valor é um negócio complicado e depende da forma que cada um estipula seu preço. Você pode ser freelancer, ser dono de uma micro empresa ou “sobrinho”. Ser estudante, profissional ou empresário, mas todos tem seu custo/hora.

Se quiser fazer que seu cliente o respeite e o leve a sério, você também tem que se levar a sério, né?

E você, concorda, não concorda ou tem alguma experiência para dividir? Comenta aí!

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